A exemplo do que já tinha sido feito para os municípios de Macaé e Rio das Ostras-RJ, o Grupo de Trabalho de Enfrentamento à COVID-19 da UFRJ-Macaé elaborou uma Nota Técnica explorando alguns cenários possíveis para a epidemia da COVID-19 em Quissamã - RJ. 

Partindo dos resultados obtidos para o Brasil pelo Imperial College COVID-19 Response Team, os pesquisadores obtém um panorama geral aproximado de cenários epidemiológicos para Quissamã. Vários aspectos específicos dessa municipalidade foram considerados, como seu perfil demográfico, o padrão de reprodução da infecção e o isolamento social conseguido pela população. 

Para o Prof. Matheus, docente da UFRJ e co-autor do estudo, “‘As medidas de distanciamento social irão ajudar na avaliação das tendências de expansão da doença no território”.

O Distanciamento Social (DS) no modelo epidemiológico usado é a redução percentual nos contatos na população em geral. Em termos sanitários, distanciamento social são medidas que buscam restringir o convívio social de forma a evitar a propagação de uma determinada doença, o que tem sido objeto de várias políticas públicas. Nota-se para Quissamã que há um aumento do distanciamento social até atingir um pico de 55% em 22/03 e então percebe-se uma tendência de queda até um valor ao redor de 40%. 

Quissamã dispõe para os pacientes da COVID-19, 10 leitos de clínica médica, 5 de unidades de terapia intensiva (UTI) e 10 de campanha com respirador. Em 17/05/2020 foram contabilizados 19 casos confirmados de COVID-19 e 1 óbito aguardando resultado de exame. 

Segundo o Prof. Antonio Guimarães, docente da UFRJ e co-autor do estudo, “Por ser uma cidade pequena do interior, Quissamã provavelmente está mais próxima do limite inferior para o número de reprodução básico (R0) estimado para o Estado”. 

Os cenários consideram um distanciamento social (DS) constante, mas a realidade é mais complicada e as cidades apresentam distanciamento social variando no tempo, pois as políticas públicas de contenção e o comportamento individual mudam com o tempo. Nenhum dos cenários considerados cobre exatamente os parâmetros estimados para o município, mas consideram que provavelmente está mais próximo da versão (ii) do cenário 3 no qual há distanciamento social moderado por toda a população. Nesse cenário algo como 44% da população é eventualmente infectada e meia centena vem a óbito. No pico da epidemia estimam a ordem do número de hospitalizados e casos graves neste cenário em, respectivamente, 80 e 20, o que representaria um desafio para o sistema hospitalar municipal, caso se concretizasse. Em contraste, no cenário 1 (o de maior controle sobre a epidemia) somente 5,3% da população é infectada e o número de hospitalizados, casos graves e óbitos são um décimo das quantidades estimadas para o cenário 3(ii).

Segundo a Profa. Karla Coelho, membro do GT, médica e docente da UFRJ, co-autora do estudo “Esses dados reforçam a mensagem para a população para intensificarem os esforços de isolamento, a fim de conter a propagação do vírus”.  

Mais sobre o grupo de trabalho:

 

O GT COVID-19 UFRJ MACAÉ realiza um trabalho multidisciplinar com participação de mais de 100 docentes, técnicos e alunos da UFRJ-Macaé e outras instituições da região, e desenvolve análises que acompanham o comportamento da Pandemia no Norte Fluminense e Baixada Litorânea. Este grupo também tem dialogado com os municípios dessas regiões ofertando apoio técnico e científico para o enfrentamento da Pandemia.

Foto: Artur Moês 

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